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Nuno Oliveira (1925-1999)

Portugal é um autêntico “museu vivo” do Cavalo Lusitano

Esse facto, prova tratar-se do cavalo de sela mais antigo do mundo.

Alia uma rara beleza à robustez, flexibilidade e docilidade.

Desde há séculos, que os portugueses têm vindo a desenvolver esta sua raça, utilizando-a com enorme sabedoria. Na realidade, a seleção deste cavalo não se pode dissociar de um vasto número de brilhantes cavaleiros que a ele se dedicaram ao longo da história, nem das notáveis obras literárias escritas sobre o tema.

Livro de Ensinança de Bem Cavalgar Toda Sela

O ”Livro de Ensinança de Bem Cavalgar Toda Sela”, escrito pelo rei D. Duarte no séc. XV, é o mais antigo tratado equestre europeu.

Desde há séculos que os portugueses têm vindo a desenvolver esta sua raça

Nos tempos modernos, destacam-se o cavaleiro tauromáquico João Branco Núncio (1901-1976) e o mestre Nuno Oliveira (1925-1989), considerado o maior expoente da equitação clássica do séc. XX, e o grande divulgador da raça em todo o mundo.

Esta riquíssima cultura equestre, encontra-se ainda hoje bem patente, não só na equitação de tradição portuguesa, mas também nos trajes e arreios que o povo português tão bem soube preservar.

Na realidade, Portugal é um autêntico “museu vivo” do Cavalo Lusitano.

João Branco Núncio (1901-1976) 

História

A existência de vários estudos sobre o tema tem vindo a demonstrar que, o cavalo Lusitano que hoje conhecemos, resulta da evolução e selecção de um cavalo primitivo, cujos mais remotos vestígios foram descobertos, em Portugal, nas quentes planícies do sul do país (grutas do Escoural – XVII a XIII milénio a.C.).
Cavaleiro tauromáquico português, num quadro a óleo de Simão da Veiga.
Nestes desenhos pré-históricos, é surpreendente a semelhança morfológica com o actual Lusitano, sobretudo na forma característica do pescoço e no perfil convexo do chanfro.

Este cavalo primitivo, de porte ligeiro, mas cuja estatura e estrutura óssea era suficiente para suportar o peso de um homem, constituiu uma autêntica dádiva da natureza para os povos da península, que o domesticaram e o ousaram montar. Rapidamente se transformou num novo e rápido meio de transporte e, para além disso, veio a constituir um poderoso auxílio nas escaramuças que as várias tribos ibéricas travavam constantemente entre si com vista à posse dos territórios. A descoberta, nesta parte do mundo, de armas anti-cavaleiro (alabarda), datadas do V a IV milénio a.C., prova que já se combatia a cavalo há 6 ou 7000 anos. Em nenhum outro local existem evidências da existência de cavalos montados há tanto tempo.

Embora noutras paragens, como na Grécia ou no Egipto, também já se utilizasse o cavalo na guerra, essa utilização era sempre feita como animal de tiro, puxando os carros de combate. Isto permite-nos colocar a hipótese da origem ibérica da própria equitação. A confirmar-se, o cavalo Peninsular seria, então, o primeiro cavalo de sela conhecido.

“(…) o cavalo Peninsular seria o primeiro cavalo de sela conhecido.”
Os cavaleiros ibéricos evoluíam nos campos de batalha de uma forma característica. Tirando enorme partido da obediência e agilidade das suas montadas, movimentavam-se com rápidas transições e bruscas mudanças de direcção, o que dificultava em muito as manobras dos seus inimigos. Esta equitação peculiar, foi dada a conhecer ao mundo pelos Cynetes, quando esta tribo do sudoeste da Península combateu na Grécia contra os Atenienses, auxiliando a vitória dos Espartanos na guerra do Peloponeso (séc. IV a.C.). Tal facto justifica a origem do termo “gineta”, ainda hoje utilizado para classificar esta forma de montar.

Seleccionado, durante séculos, como suporte de uma técnica específica de combater, o cavalo Peninsular vai surpreendendo, pelas suas invulgares capacidades, todos os que contra ele se batem.

É o caso de Romanos e Mouros, que o vieram encontrar na Península e prontamente reconheceram as suas inegáveis qualidades.

Mais tarde, em pleno século XV, é levado para Itália pelo exército espanhol, afim de intervir na guerra que o rei Fernando de Aragão aí travava contra os franceses, com vista à conquista do reino de Nápoles. Torna-se conhecido para além dos Pirinéus, e passa a ser intensamente procurado por toda a aristocracia europeia.
“(…) os cavaleiros ibéricos evoluíam nos campos de batalha, tirando partido da obediência e agilidade das suas montadas, o que dificultava em muito as manobras dos seus inimigos.”
Está na base do surgimento da academia de Nápoles, cuja fundação permite que a equitação passe a ser encarada como ciência e comece a ser estudada por insignes mestres que, seguindo o exemplo dado pelo Rei D. Duarte de Portugal (que cerca de cem anos antes, escrevera o primeiro livro que existe sobre o tema na Europa), deixam os seus conhecimentos e experiência registados em preciosos tratados de equitação.
D. Carlos I, Rei de Portugal (1863-1907), num quadro a óleo de Carlos Relvas.
Escola Portuguesa de Arte Equestre
Com o passar dos tempos, a evolução tecnológica acaba por retirar ao cavalo o papel preponderante que assumira ao longo da história. A sua utilização, torna-se quase exclusivamente desportiva, nas várias modalidades hípicas que hoje conhecemos. Por toda a Europa, surgem novas raças de sela, com características exclusivamente adaptadas à equitação desportiva. O cavalo Peninsular é o verdadeiro suporte da constituição de todas elas.

Até aos dias de hoje, Portugal tem mantido uma tradição particular – o toureio a cavalo. Aqui, é necessário continuar a tirar partido de todas as qualidades que tornaram famoso o mais antigo cavalo de sela do mundo. Tal como outrora acontecera nos campos de batalha, a lide de toiros bravos tem permitido aos portugueses preservar a funcionalidade dos seus cavalos.

Por via da manutenção de tradições ancestrais, continuamos a produzir animais em que a robustez, coragem, flexibilidade e docilidade são características determinantes.

Considerando que o Lusitano alia, a todas elas, uma rara beleza, poderemos afirmar, sem grande risco, que ele é, provavelmente, o melhor cavalo de sela do mundo.

A Nossa Coudelaria

Nascido em 1962, André Teixeira da Costa desde sempre nutriu uma especial paixão pelos cavalos, o que o levou a licenciar-se em engenharia zootécnica e a especializar-se em nutrição e reprodução de equinos.

Como cavaleiro, iniciou a sua aprendizagem com o coronel Ivens Ferraz, cavaleiro olímpico de quem é sobrinho neto. Mais tarde, veio a trabalhar com outros insignes mestres.
Entre 1979 e 1982, sob orientação de José Mestre Batista, actuou, como cavaleiro tauromáquico amador em vários espectáculos. Manteve-se ligado a este cavaleiro até 1985, data do seu falecimento.

A partir daí, por vincada influência do mestre Nuno Oliveira, é conquistado pela arte subtil da equitação clássica, que começa a estudar com entusiasmo.
Montou e ensinou um número considerável de cavalos. Apesar de nunca se ter dedicado em exclusivo à equitação, manteve sempre uma intensa actividade como cavaleiro, trabalhando actualmente no seu picadeiro, onde, continuando fiel aos princípios clássicos da equitação, monta diariamente os seus cavalos e dá lições a um restrito grupo de alunos.

Fundou esta coudelaria em 1994 com o principal objetivo de fornecer diretamente as suas cavalariças.
Tendo conjugado, nos primeiros anos, a produção de equinos lusitanos e cruzado português, a partir de 1999 opta por se dedicar exclusivamente à criação de cavalos Puro Sangue Lusitano.

O facto de conjugar as facetas de produtor de cavalos e de equitador, tem permitido fazer uma cuidada avaliação do comportamento de cada indivíduo ao longo do ensino e utilizar esse conhecimento como um importante fator de seleção. Utilizando reprodutores com uma genealogia de qualidade comprovada, o objetivo principal é a obtenção de animais que, morfologicamente bem conformados e obedecendo ao padrão da raça, se distingam como bons cavalos de sela, dando-se especial atenção às características morais e qualidade de galope.
André Teixeira da Costa
Um dos nossos cavalos, numa aguarela de Serrão de Faria.

Cavalos à Venda

Os cavalos de puro sangue Lusitano que temos para venda. Selecione as imagens para mais informação.
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